Construindo tecnologia para uma população idosa

Quando as pessoas mais velhas de hoje eram crianças ter um aparelho de televisão em casa era um luxo. Os computadores pessoais ainda não existiam e os telefones fixos eram o que de mais moderno havia à disposição. Décadas depois, a tecnologia e seu impacto no envelhecimento remodelam nossas vidas.

Dispositivos que antes pareciam ficção científica agora são usados ​​para tornar nossas vidas mais segura, saudável e agradável à medida que envelhecemos. Certas tecnologias garantem que os idosos possam ser independentes, autônomos e saudáveis. Mas como uma empresa de tecnologia garante que está projetando produtos que levem em consideração as reais necessidades da população idosa? Além disso, como ela garante que estes produtos sejam acessíveis e úteis para todo o público?

Tecnologia para idosos e cuidadores

Embora os idosos sejam, frequentemente, considerados menos experientes em tecnologia do que as gerações mais jovens, eles estão mais conectados do que nunca.

Os adultos mais velhos e seus cuidadores adotam tecnologias que apoiem seus objetivos de longevidade, qualidade de vida, independência, autonomia, conexão com amigos e familiares e segurança.

E as empresas, por onde devem começar quando forem criar produtos e serviços para esse público?

Conheça os idosos. Ao projetar produtos e serviços para pessoas mais velhas, é essencial que as empresas levem em conta as dificuldades e barreiras que sua base de clientes enfrenta todos os dias. Os desenvolvedores, geralmente, perdem de vista o que os usuários finais realmente precisam. Sejam funções sensoriais, como visão ou audição, habilidades motoras ou alterações cognitivas, as barreiras relacionadas à idade são um fator importante quando os idosos tomam decisões sobre o uso da tecnologia.

Veja o declínio das habilidades motoras, por exemplo. Para o enfrentamento desta barreira é necessário criar hardwares com recursos corrigíveis – um teclado modificado, botões grandes e alças no próprio dispositivo. As equipes de design e produto devem priorizar funções como tamanho de fonte aumentado, leitores de tela e sintetizadores de fala.

Certifique-se que o produto ou serviço aceite uma ampla variedade de níveis funcionais de habilidade e, se necessário, possa ser modificado sem aumentos significativos de custo. Por exemplo, oferecer serviços de compartilhamento de viagens que não exigem um aplicativo para smartphone, pois muitos idosos – que deixaram de dirigir – não se sentem confortáveis ​​ao usar smartphones. Inovações eficazes para este público são produtos e serviços que resolvem problemas complexos com simplicidade.

Ofereça soluções variadas. Ao desenvolver produtos para as pessoas com 65 anos ou mais, lembre-se que não há uma solução que funcione para todos. Ao longo dos anos, várias tecnologias inovadoras neste mercado surgiram e falharam ao se conectar com o público-alvo. As tecnologias são de ponta, mas parecem criadas por equipes com pouco entendimento sobre os maturis.

As empresas devem oferecer várias soluções para atender às diferentes necessidades do público. Um idoso mais experiente em tecnologia pode se beneficiar de um smartphone com recursos voltados para saúde e segurança. Se a segurança e a tranquilidade são as principais preocupações, considere oferecer um sistema de resposta a emergências pessoais que funciona com um simples toque na tela apenas. Os sistemas de resposta a emergências pessoais são projetados com a facilidade de uso em mente e oferecem aos idosos acesso instantâneo a agentes treinados. E para aqueles que não se sentem confortáveis ​​com o uso de um smartphone, pense num telefone mais simples ou num dispositivo vestível que se adeque às necessidades.

Não se esqueça dos cuidadores. Uma empresa que projeta produtos e serviços – com o objetivo de facilitar a vida de idosos – deve considerar, fortemente, os cuidadores, que podem ser familiares, auxiliares domésticos ou profissionais que atuam na residência ou em instituições. Ao apoiar profissionais de saúde e equipes médicas a tecnologia pode ajudar a alcançar o objetivo triplo da assistência médica: melhores resultados nos tratamentos, custos mais baixos e maior satisfação do paciente.

Os sensores em tempo real ajudam a manter um olho virtual durante o tempo todo. Ao monitorar atividades da vida diária, como comer e dormir, a tecnologia pode criar padrões usando análises preditivas, que identificarão mudanças significativas no comportamento dos idosos identificando possíveis mudanças no estado de saúde. Assistentes virtuais podem ajudar a ler as notícias ou livros, adequar a temperatura ambiente e enviar mensagens. As ferramentas de gerenciamento digital podem ajudar nas tarefas administrativas diárias que costumam recair sobre os cuidadores, como organizar consultas, ministrar medicamentos e manter registros médicos.

A tecnologia teve um impacto significativo na população idosa, tanto do ponto de vista do consumidor quanto das empresas. Individualmente, a tecnologia apoia os idosos e seus cuidadores, melhorando a qualidade de vida, a independência, a autonomia e a segurança. Nas empresas, a tendência de maior uso da tecnologia em vários ambientes de atendimento apoia profissionais aumentando a qualidade dos produtos e da prestação de serviços.

E por fim, as empresas que ainda não perceberam – precisam faze-lo o mais rápido possível – que a interdependência entre elas e os usuários é um fato que não pode ser evitado, principalmente,  na fase de desenvolvimento de seus produtos e serviços, sob pena de produzir algo que ficará encalhado nas prateleiras reais ou virtuais.

 

Este texto é uma tradução livre do artigo de Anne Murphy que foi originalmente publicado na Forbes em https://www.forbes.com/sites/forbestechcouncil/2019/10/18/building-smart-technology-for-an-aging-population/#630d6f92322c

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
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