Mais do que nunca idosos iniciam novos negócios

Querendo saber o que fazer após a aposentadoria? Que tal começar um negócio?

De acordo com a Fundação Ewing Marion Kauffman, em 2017, as pessoas na faixa etária de 55 a 64 anos representou 26% dos novos empreendedores. Esse é um aumento significativo em relação aos 15% de 1996. Pesquisas realizadas pelo Global Entrepreneurship Monitor mostram que a mesma faixa etária é mundialmente a maior taxa de atividade nas startups de negócios na última década.

Os empreendedores mais velhos descobriram uma maneira de aumentar as chances de uma startup ser bem-sucedida: fazer parceria com a geração mais jovem. Segundo o empresário de hotelaria Chip Conley em seu livro Wisdom @ Work: The Making of a Modern Elder (Sabedoria no Trabalho: a formação de um idoso moderno, em tradução livre), esta estratégia oferece a vantagem de “potluck intergeracional”. “Na música, arte, ciência e em quase todos os lugares, a diversidade – de idade, de formação, de pensamento – acende a centelha criativa. Por que deveria ser diferente no trabalho?”

A economia do empreendedorismo transgeracional é convincente. Os parceiros mais velhos, geralmente, trazem para os negócios experiência no setor, muitas conexões e clientes em potencial, também podem contribuir com algum capital. Os de gerações mais jovens – sejam parentes, ex-colegas ou conhecidos da rede de relacionamentos – são tipicamente nativos digitais, são ambiciosos em deixar sua marca, mas sem capital financeiro a oferecer. “O estimulante é que, realmente, uns precisam dos outros”, diz Elizabeth Isele, fundadora e diretora executiva do Global Institute for Experienced Entrepreneurship. “É como se um agregasse valor ao outro.”

Como valor agregado temos o exemplo do relacionamento entre Kerry Schrader, 57, e sua filha Ashlee Ammons, 31. Em 2014, Ammons trabalhava em Nova York como produtora de eventos. Ela participou de um almoço de networking, não gostou da experiência e contou a história para a mãe. Schrader havia trabalhado como gerente de recursos humanos em várias empresas incluindo Ford Motor Co. e Alcoa Corp. A partir dessa conversa surgiu a ideia que levou a criação de um novo negócio – Mixtroz -, um aplicativo para eventos de team-building e networking.

A parceria funciona para as duas empreendedoras iniciantes. “Ela usa na Mixtroz muito do que aprendeu ao longo de sua carreira”, diz Ammons. “E por isso conseguimos evitar muitas armadilhas”. Ammons atribui a perspicácia financeira de Schrader e, desde o início, a atenção no controle de custos, o bom funcionamento e a manutenção dos negócios.

Os últimos anos foram um turbilhão. Em 2016, trabalho conjunto numa aceleradora em Chattanooga; em 2017, início do Mixtroz; participação em outra aceleradora em Birmingham, Alabama, onde a empresa está sediada e garantia de um investimento de US$ 100.000 do Rise of the Rest Seed Fund; no início de 2019, fechamento de uma rodada de financiamento de US$ 1 milhão. “Hoje, se quisesse, eu poderia parar de trabalhar”, diz Schrader. “Mas eu gosto do mundo dos negócios.”

Mudanças fundamentais na economia e na sociedade ajudaram a tornar prático o empreendedorismo transgeracional. Startups como a Mixtroz podem explorar o crescente ecossistema do conhecimento empresarial e mentorias para startups. Cidades estão incentivando o empreendedorismo, apoiando incubadoras, aceleradoras e novos negócios. Essas comunidades oferecem oportunidades para empresários idosos conhecerem pessoas mais jovens com interesses compartilhados na criação de uma empresa. Os avanços na tecnologia da informação reduziram, em muito, o custo de uma empresa. O escritório é frequentemente uma sala da casa ou um espaço compartilhado para trabalho.

Um dos motivadores mais poderosos vem da insatisfação com a visão tradicional da aposentadoria. O lazer em tempo integral nem sempre é tão envolvente quanto costuma ser retratado. Mike Fronk, 77 anos, passou grande parte de sua carreira trabalhando como gerente da General Mills Inc. e da Land O’Lakes Inc. Em 2002, ele se aposentou cedo, perto dos 60 anos. Logo após, se associou aos filhos e comprou um pequeno negócio de TI em sua cidade natal, Minneapolis. “O que muitos de nós esperávamos de forma estereotipada era acordar às 9h, tomar café, ler os jornais, assistir as notícias – e depois disso, não tínhamos ideia nenhuma”, diz ele, rindo. “Eu sempre procurei significado.”

 

 

O artigo de Chris Farrell foi publicado originalmente em Bloomberg Businessweek em https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-09-20/retirees-are-becoming-new-entrepreneurs

 

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
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