Quanto custa a experiência?

“A educação é cara; experimente a ignorância”.

Esta expressão eu ouvi pela primeira vez de um grande amigo e professor no início da década passada. Quem a criou acredito que o tenha feito pensando num profissional que se questionasse sobre colocar parte significativa de seus rendimentos na busca da constante atualização. Muito já se escreveu e discutiu sobre esta ótica.

Assim gostaria, de forma petulante confesso, de reescrevê-la e explorar outro sentido:

“A experiência é cara; experimente os inexperientes”.

Antes de tudo um reforço para que não me tenham por retrógrado: minha carreira como executivo, palestrante, articulista, consultor e agora mentor sempre foi pautada por trabalhar o desenvolvimento de jovens. Assim, meus caros, sei muito bem o valor da energia e do controle de novas tecnologias que os profissionais em formação trazem para as nossas empresas.

O que pretendo é argumentar com empresários e gestores o imenso valor das cabeças pensantes, algumas grisalhas, que por vezes deixamos de aproveitar em diversas situações nas nossas empresas. E, convenhamos, às vezes o fazemos por mero preconceito na medida em que de pronto os consideramos ultrapassados. Ou, em outras situações, por entender que haja um elevado custo na contratação e manutenção dessa faixa de profissionais.

Chamo sua atenção para um tanto de situações em que a utilização de profissional 50+ é de longe a melhor opção. Isto porque dele se obtêm rápidos resultados, posto que já conhecem as “descaídas da mesa” como diriam os amantes da sinuca. Eles abreviam significativamente etapas e prazos calcados em sua vivência. Assim, menor custo e resultado mais consistente.

Não me fiz claro? Querem exemplos?

Vamos a eles então….. Que tal pensarmos em uma revisão de nossos controles internos sob a ótica, tão atual, das práticas de compliance das nossas empresas?

Um profissional (e aqui peço que o uso do artigo não restrinja o gênero) com larga experiência de gestão e com sua visão holística poderia apontar-nos pontos críticos, fraquezas, e indicar ações de fortalecimento a serem implementadas visando a salvaguardar stakeholders. Levam-se anos de trabalho árduo para construir-se uma reputação. E em horas vemos serem destruídas imagens. O investimento se paga!

Em tantas outras rotinas de uma empresa, esses profissionais poderiam, temporariamente, emprestar sua experiência. Programas de certificações, ou recertificações, ISO, implementação de novos ERPs, internalização da contabilidade, projetos de expansão de plantas, estudos de viabilidade no uso de logística própria x terceirizada, refazimento das práticas de comunicação corporativa, apoio na decisão pela abertura ou não de filiais, uso de equipe própria de vendas x representantes na busca de penetração em novos mercados. E vai por aí afora num sem número de oportunidades.

Este tema ganha especial destaque com a sanção do PL 4.302/98, que trata da regulamentação de terceirização de trabalhos episódicos. Profissionais da faixa 50+ poderão ser contratados por períodos de até 270 dias (180 + 90).

Querem outra abordagem de reforço a esta?

Tratemos da ótica da responsabilidade social da empresa que estaria absorvendo profissionais, provendo-lhes fonte de receita. Este enfoque é tão mais importante quanto mais a nossa população avança na longevidade. Sem dúvida estaremos diante de ganho de respeito de nossas empresas pela comunidade que de alguma forma é tocada por nossa atuação. Na mesma linha da responsabilidade social, podemos reforçar que neste momento se discute o retardo da aposentadoria, fruto da reforma previdenciária que se avizinha.

Por fim fica um conselho: ao contratar um 50+, não desperdicem uma oportunidade ímpar que se apresentará. Não os isole, confinando-os em salas. Mescle-os com suas equipes. O domínio do uso de tecnologias que profissionais em formação possuem será ricamente enriquecida com a absorção, ainda que por osmose, da experiência e orientação que os 50+ poderão agregar.

Senhores empresários e gestores enriqueçam suas empresas com esta experiência disponível aguardando contratação.

Ari Marques

Ari Marques

Ari Marques

Bacharel em Ciências Contábeis pelas FMU (1982) complementados por MBA em Gestão com ênfase em Marketing pela ESPM; Curso Especial de Economia – FIPE USP; Especial em Administração pelo Mackenzie e incontáveis seminários, congressos e cursos de curta duração complementam a formação. Atuando como auditor, executivo e consultor ao longo de 35 anos participei de um sem numero de operações de M&A e, como Assistente Técnico Judicial em processos que envolvessem aspectos contábeis e fiscais. Palestrante e professor em temas ligados a gestão de pessoas, remuneração incluindo a participação em lucros e resultados (PLR). Vivência profunda em Direito Empresarial – Trabalhista, Societário, Tributário, Civil e Comercial. Ao longo de anos atuando na reestruturação, negociação e avaliação de empresas. Larga experiência na gestão holística de empresas, reestruturação, negociação, e avaliação de empresas. Mentor atuante pela ENDEAVOR e INOVATIVA. Voluntário na MaturiJobs.
Ari Marques

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