Como funcionários mais maduros funcionam no ambiente de trabalho

À medida que as pessoas envelhecem, o cérebro muda tanto positiva quanto negativamente

Se você tem mais de 20 anos, olhe para longe agora. Seu desempenho cognitivo provavelmente já está em declínio. A velocidade com que as pessoas podem processar informações diminui em uma velocidade constante desde o começo dos 20 anos de idade.

Um teste comum de velocidade de processamento é o “teste de substituição de símbolo por código”, no qual uma série de símbolos são emparelhados com um conjunto de números em um código. Um código é mostrados aos participantes, depois uma sequência de símbolos e, em seguida, é solicitado para que anotem o número correspondente na caixa abaixo dentro de um período definido de tempo. Não há nada cognitivamente desafiador sobre a tarefa. Níveis de educação não fazem diferença no desempenho. Mas a idade faz. A velocidade diminui constantemente à medida que as pessoas envelhecem.

O porquê disso ainda é uma hipótese, mas uma série de tentativas de explicações já foram apresentadas. Uma delas aponta para a mielina, uma substância branca e gordurosa que cobre os axônios, as terminações que transportam sinais de um neurônio para outro. Reduções constantes na mielina à medida que as pessoas envelhecem podem estar atrasando essas conexões. Outra possibilidade, diz Timothy Salthouse, diretor do Laboratório de Envelhecimento Cognitivo da Universidade de Virgínia, nos EUA, é o esgotamento de um produto químico chamado dopamina, receptores que diminuem com o avanço da idade.

Felizmente, também há boas notícias. Os psicólogos distinguem entre “inteligência fluida”, que é a capacidade de resolver novos problemas, e “inteligência cristalizada”, que equivale a um estoque de conhecimento acumulado de um indivíduo. Essas reservas de conhecimento continuam a aumentar com a idade: o desempenho das pessoas em termos de vocabulário e de conhecimentos gerais continua melhorando mesmo depois dos 70 anos. E a experiência muitas vezes pode compensar o declínio cognitivo. Em um estudo antigo, mas instrutivo, de datilógrafos com idade entre 19 e 72 anos, os trabalhadores mais velhos escreveram tão rápido quanto os mais jovens, embora a sua velocidade de digitação fosse mais lenta. Eles conseguiram isso olhando mais adiante no texto, o que lhes permitiu continuar melhor.

O que tudo isso significa para uma vida de aprendizagem contínua? É encorajador, desde que as pessoas estejam aprendendo novas habilidades em áreas já conhecidas. “Se a aprendizagem puder ser assimilada em uma base de conhecimento existente, a vantagem se inclina para o mais velho”, diz Salthouse. Mas mover os trabalhadores mais velhos para uma área inteiramente nova do conhecimento é menos provável que vá bem.

 

 

Esta é uma tradução livre do artigo “Old dogs, new tricks” publicado pela The Economist. Veja o artigo original neste link.