A força de trabalho envelhecida não é um fardo. É uma oportunidade!

O mundo muda constantemente e num ritmo cada vez mais rápido. O momento é único em nossa história, quando o aumento da longevidade somado às inovações tecnológicas poderá retardar, ou mesmo interromper, o envelhecimento de maneira antes inimaginável ​​- possibilitando a alguns escolher como quer viver à medida que envelhece.

Hoje, o Japão é o único país do mundo onde pessoas com 60 anos ou mais representam mais que 30% população. Até 2050, 62 países – incluindo a China – alcançarão esse marco.

Em breve, pessoas com 60 anos ou mais superarão as crianças de cinco anos ou menos. Os demógrafos preveem que em países com alta qualidade de vida, mais da metade das crianças nascidas hoje viverá até 100 anos – e alguns pesquisadores acreditam que, já tenha nascido, a primeira pessoa que chegará aos 150.

Em 2030 os primeiros millennials começarão a completar 50 anos, e os primeiros representantes da geração X completarão 65. No final de 2030, os primeiros boomers terão 85.

No entanto, envelhecimento global é muito mais do que demografia. Os avanços na pesquisa e na tecnologia estão impulsionando a inovação em praticamente todos os campos que afetam a capacidade da humanidade de viver bem à medida que envelhece. A ciência está possibilitando uma vida mais longa – e, à medida que as pessoas vivem mais, continuam a aprender, a serem produtivas e a contribuir para a sociedade.

Para uma grande parcela, isso significa continuar trabalhando e, cada vez mais, as pessoas querem trabalhar além da idade tradicional de aposentadoria. Seja porque querem continuar contribuindo com a sociedade seja para encontrar sentido para suas próprias vidas.

Tudo isso está tendo uma grande influência no ambiente de trabalho. Nos EUA, por exemplo, pela primeira vez desde 1948 os funcionários com idade suficiente para se aposentar superam os adolescentes na força de trabalho.

Apesar dessas mudanças, na maioria das abordagens, o envelhecimento ainda é visto como um problema a ser resolvido. E as soluções são um esforço para evitar o que alguns chamam de “crise internacional”, pois o envelhecimento é uma questão global.

A premissa, no entanto, é absoluta e fundamentalmente errada. A discussão não pode ser sobre como evitar uma crise; e, sim, como aproveitar as oportunidades de ter no mesmo local de trabalho a força simultânea de cinco gerações. Para incentivar ou manter o crescimento econômico, os empregadores e os governos devem reconhecer a capacidade produtiva dos trabalhadores mais velhos.

E para que isso se realize um dos maiores desafios a ser enfrentado é o preconceito etário. Em 2017, o Relatório de Prontidão e Competitividade do Envelhecimento – ARC (Ageing Readiness and Competitiveness) – da AARP (American Association of Retired Persons) examinou o preparo de 12 nações para enfrentar os desafios sociais e econômicos pelo envelhecimento de suas populações.

A pesquisa foi realizada nos seguintes países: Brasil, Canadá, China, Alemanha, Israel, Japão, Coréia, México, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

Uma das constatações do Relatório é que os empregadores têm uma percepção totalmente equivocada sobre as condições das pessoas mais velhas para permanecerem ou reingressarem no trabalho. E isto é predominante em países de alta e média renda.

O preconceito etário transforma experiência em obstáculo

O preconceito etário se manifesta na visão que os trabalhadores mais velhos têm baixa performance, são difíceis de se relacionar, são incapazes de usar novas tecnologias, são resistentes a mudanças e são caras demais. Frequentemente são deficientes em habilidades comerciais ou percebidos como tendo menos potencial para progredir.

Mas o Relatório traz, também, que quando o preconceito etário é combatido e desafia crenças e estereótipos ultrapassados, uma força de trabalho diversificada na idade torna-se grande. Cada geração – incluindo trabalhadores mais velhos e experientes – tem diferentes maneiras de trabalhar e usar suas habilidades. Mentoria e mentoria reversa podem aumentar o moral e a produtividade de equipes. Os trabalhadores mais velhos podem trazer conhecimento institucional e perspectivas diferentes, maturidade social e estabilidade, e também transmitir conhecimentos tácitos e explícitos para os mais jovens, que por sua vez podem trazer uma mentalidade mais colaborativa e ajudar os mais velhos a se tornarem proficientes digitalmente.

Uma força de trabalho diversificada por idade também leva a um melhor desempenho. De acordo com um estudo da AARP e AON Hewitt, o segmento de mais de 50 anos da força de trabalho continua a ser a faixa etária mais engajada dentre todas as gerações. Eles demonstram o envolvimento emocional e intelectual que motiva os funcionários a fazer o melhor trabalho e contribuem para o sucesso de uma organização. Além disso, leva apenas um aumento de 5% no engajamento para alcançar um crescimento de receita incremental de 3%.

Combater o preconceito etário também significa mudar a percepção ultrapassada dos idosos como pessoas que temem a tecnologia. A pesquisa mais recente da AARP sobre adoção de tecnologia entre pessoas de 50 anos ou mais mostra que 70% possuem smartphone e estão nas redes sociais.

Assim como os mitos e as percepções errôneas sobre os trabalhadores mais velhos dificultam os esforços dos empregadores para reter, contratar e gerenciar uma força de trabalho diversificada, os mitos e percepções errôneas sobre os consumidores mais velhos também impedem as empresas de comercializar e fornecer produtos e serviços a este mercado crescente e cada vez mais influente.

Isso está diretamente ligado à contribuição dos trabalhadores mais velhos. Afinal, como é possível alcançar e atender esse mercado de maneira eficaz se não tiver pelo menos algumas pessoas como elas – que entendem seus desejos, necessidades e estilos de vida – trabalhando diretamente nestes produtos e serviços?

É preciso mudar a forma de pensar o envelhecimento reconhecendo o valor e as contribuições potenciais de uma população envelhecida para abordar questões econômicas e sociais mais amplas. Os funcionários mais antigos não atendem apenas a necessidades financeiras e engajamento contínuo, eles e elas agregam valor econômico e social em toda sociedade e podem ser um grande trunfo para os empregadores.

O local de trabalho de cinco gerações é uma realidade. Não há como alterar as tendências demográficas, mas é possível alterar a forma como se responde a elas. O desafio é como transformar essa nova demografia em possibilidades produtivas para empregadores e funcionários.

 

Este artigo de Jo Ann Jenkins foi publicado originalmente em World Economic Forum em https://www.weforum.org/agenda/2019/01/an-aging-workforce-isnt-a-burden-its-an-opportunity/

Walter Alves

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
Walter Alves