O preconceito etário atinge mais as mulheres do que o de gênero

As estatísticas são frequentes e estão disponíveis para quem quiser consultar, nos EUA, as mulheres ganham 80 centavos por dólar que os homens ganham; fazem 2,6 vezes mais trabalho não remunerado que os homens e, se isso continuar assim, elas somente alcançarão a igualdade econômica daqui a 208 anos.

Mas, infelizmente, esses números não captam toda a realidade e nem as experiências vividas pelas mulheres no trabalho. Na prática, o preconceito sofrido pelas mulheres ocorre de várias maneiras diferentes, incluindo aspectos que vão muito além do gênero.

Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa realizada pelo The Riveter, um espaço de coworking com igualdade de gênero nos EUA. De acordo com o relatório, a organização, juntamente com os parceiros Xerox e YouGov, entrevistou 1.550 mulheres estratificadas “por cor ou etnia, profissão e função”.

Uma estatística importante: 58% das mulheres afirmaram que suas “identidades e/ou atributos físicos impactam fortemente suas experiências no trabalho”. Segundo o relatório, e como pode ser visto abaixo, dentre todos os aspectos, a idade foi a resposta mais frequente, desempenhando um papel muito maior que o gênero.

25% – idade

20% – habilidades ou limitações físicas

19% – forma ou tamanho do corpo

17% – gênero

13% – se mãe ou não

11% – cor ou etnia

10% – estado civil

Essas descobertas se baseiam em um número crescente de estudos sobre o efeito do envelhecimento no trabalho. Vinte e um por cento dos trabalhadores com mais de 40 anos dizem ter enfrentado discriminação relacionada à idade. Os trabalhadores mais velhos têm menos oportunidades de emprego, recebem menos responsabilidade no trabalho, quando não são demitidos de seus empregos. Enquanto alguns estudos e pesquisas mostram que homens e mulheres são afetados pelo envelhecimento a taxas semelhantes, outros mostram que as mulheres são muito mais afetadas pela discriminação etária.

“O que nosso relatório acrescenta é que perguntamos às mulheres diretamente sobre suas experiências”, diz Amy Nelson, fundadora e CEO da The Riveter, acrescentando que ela e outras pessoas envolvidas na pesquisa ficaram realmente surpresas com a predominância e importância da questão da idade nos resultados.

É claro que a idade é apenas um dos fatores que identificam uma pessoa e, pode ser difícil atribuir claramente os vieses que as mulheres experimentam no trabalho quanto à este item. “Raça, idade, tipo de corpo e outras características não podem ser separadas do gênero”, diz o relatório.

O documento detalha outros resultados da pesquisa do The Riveter, incluindo remuneração desigual, penalização pela maternidade e desequilíbrio entre vida e carreira, mostrando  a forma preconceituosa como as mulheres são percebidas no trabalho, sustentando, continuamente, muitas destas desigualdades.

Os autores do relatório sugerem várias maneiras pelas quais as empresas podem tornar os locais de trabalho mais equitativos, no entanto, tudo se resume a ouvir as mulheres, diz Nelson. “Duvido que qualquer uma das soluções em torno dos problemas das mulheres no trabalho precise de uma ideia mirabolante”, diz ela. “Em termos gerais, a solução começa por fazer as perguntas corretas. Não acreditamos que haja muitos locais de trabalho perguntando às mulheres o que elas pensam. E esse é realmente o primeiro passo.”

 

O artigo de Alexandra Ossola foi originalmente publicado na Quartz em https://qz.com/1742646/ageism-not-sexism-is-becoming-womens-biggest-work-concern/

 

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
Walter Alves

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