Mulheres bem sucedidas estão iniciando negócios depois dos 50

Arthur C. Brooks, CEO do American Enterprise Institute, escreveu um ensaio no The Atlantic neste mês de julho de 2019. Ele diz que as carreiras têm um pico aos 50 anos, e ai daqueles e daquelas que não aceitam o declínio graciosamente.

A leitura de Your Professional Decline Is Coming Sooner Than You Think (algo como, Seu declínio profissional está chegando mais rápido do que pensa) desperta o quanto uma visão sombria de mundo e a sensação de perda não refletem mais a realidade das mulheres que se aproximam ou passaram dos 50.

Hoje, as mulheres 50+ estão mais fortes, mais engajadas em suas carreiras e começando novos negócios. Algumas assumem maiores riscos na busca de maiores impactos. Outras, mais ricas, estão saindo da sombra de suas famílias e tornando-se líderes de novos movimentos.

Esta situação pode ser constatada em 3 pontos:

1 – A visão de Brooks é profundamente influenciada pela vida dentro do mundo corporativo. Por terem sido discriminadas, as líderes – com raras exceções – conseguiram se firmar nas organizações.

2 – O investimento que as mulheres fizeram no networking e nas relações profissionais, no início de suas carreiras, começaram a pagar dividendos. Profissionais acima de 40 anos aprenderam a cultivar redes com amplitude e profundidade, e a utiliza-las com sensibilidade.

3 – O contexto mudou: o movimento #MeToo e uma economia mais empreendedora estão abrindo portas e janelas para as mulheres.

Estes argumentos são apoiados por estatísticas. Nos EUA, nos últimos 20 anos (1997-2017), o número de empresas pertencentes a mulheres cresceu 114% enquanto que a taxa de crescimento total foi de 44%. As empresas pertencentes a mulheres representam agora 39% de todas as empresas, empregam 8% da força de trabalho do setor privado e contribuem com 4,2% das receitas totais.

A idade média dos fundadores das startups é em torno de 45 anos. Como cuidar das crianças, geralmente, faz com que as mulheres passem alguns anos fora de suas carreiras, é seguro apostar que mulheres começam mais velhas empresas e que elas representam uma parcela das startups. Há também um número crescente de fundos de investimento – pertencentes a mulheres – que procuram e encontram empreendedoras experientes para investir. Existe, de fato, todo um ecossistema de mulheres que alcançaram um certo nível em suas carreiras e que agora estão apoiando outras mulheres de todas as idades, especialmente aquelas mais conhecidas, que tendem a ser mais velhas.

Este quadro descrito não se encaixa na visão de Brooks de um declínio depois dos 50 anos, mas isso pode ser porque o mundo das mulheres profissionais e empreendedoras está crescendo separadamente do mundo corporativo dominado por homens.

O impacto do #MeToo

Os homens raramente discutem como as mulheres foram discriminadas e excluídas nas empresas. Eles se esquivam de conversas sobre este tema e preferem falar de sucesso, dos homens é claro.

Quer uma prova? Numa recente reportagem sobre mulheres empreendedoras de sucesso com mais de 50 anos, duas mereceram ter seus perfis divulgados Sallie Krawcheck e Mary Stuart Masterson. Krawcheck é um consultora financeira que atende mulheres, cuja empresa apresenta crescimento de dois dígitos mês a mês; Masterson, uma atriz, tem um estúdio e uma produtora em Nova York, a Upriver Studios, com uma pequena equipe e com um interessante e novo modelo de negócio.

Os homens consultados na apuração dos perfis foram, praticamente, unânimes em afirmar que o sucesso obtido por elas era somente barulho na mídia. Se os perfis fossem de homens as opiniões seriam diferentes. Homens falando de homens num ambiente de negócios, comumente, comentam sobre o sucesso e isto, raramente, é estendido às mulheres. Em outras palavras, as mulheres são discriminadas inclusive nos comentários.

O grande valor do #MeToo foi trazer à luz a amplitude e a natureza sistêmica da discriminação que as mulheres sofrem. Chega a ser incompreensível o porquê tantos homens não percebem isso, ou parecem não se importar com isso. Na realidade não admitem nem o benefício da dúvida sobre a capacidade e a possibilidade de sucesso das mulheres, enquanto que para outros homens eles apostam num provável sucesso mesmo sem conhecê-los.

O que é observável é que as mulheres estão ficando mais fortes com o avançar da idade. Os músculos desenvolvidos ao longo do caminho, hoje, são utilizados para demonstrar a capacidade empreendedora e realizadora que elas demonstram.

 

 

O artigo de Elizabeth MacBride foi originalmente publicado na Forbes em https://www.forbes.com/sites/elizabethmacbride/2019/06/24/women-entrepreneurs-get-better-with-age/#2685298cd0ab

 

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
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