O Trabalho na Era da Automação

Os trabalhadores terão de se adaptar à contínua evolução das máquinas. Isso significa que, em vez de estudar por duas décadas e trabalhar nas quatro seguintes, os trabalhadores deverão estar disponíveis para a aprendizagem contínua, criação de novas competências e atualização das já existentes.

Project Syndicate, Susan Lund e Eric Hazan – 12/07/2018

De caminhoneiros que utilizam sistemas de GPS, a enfermeiros que registram sinais vitais dos pacientes passando por funcionários de concessionárias de água e luz com dispositivos de mão para emissão das contas mensais, grande parte das pessoas hoje em dia precisam de algumas habilidades digitais básicas. A demanda por trabalhadores digitalmente experientes vinha aumentando lentamente ao longo das últimas décadas, mas esta mudança ganha ritmo e transforma todo o mercado de trabalho.

No recente relatório Mudança de habilidades: automação e o futuro da força de trabalho, o McKinsey Global Institute compara o número de horas que os trabalhadores gastam atualmente utilizando 25 competências básicas em cinco categorias – física e manual, cognitivo básico, cognitivo superior, social e emocional, e tecnológico – com o número de horas que eles gastarão com essas habilidades em 2030.  Sem qualquer surpresa, dado o maior uso da automação e inteligência artificial, espera-se um salto de 55% na demanda pelas habilidades tecnológicas, desde o conhecimento básico até as mais avançadas como a programação.

O uso de habilidades que somente os humanos têm, como as sociais e emocionais – em atividades como trabalhar em equipe, liderar, negociar e relacionar-se empaticamente – também aumentarão acentuadamente. O número de empregos que requerem tais habilidades – em setores da saúde, educação, gestão e vendas e marketing – aumentará em 24%.

A demanda por habilidades cognitivas superiores, especialmente criatividade e solução de problemas complexos, também aumentará apesar de já existirem máquinas produzindo em áreas que exigem este tipo de habilidade, como alfabetização avançada, redação de textos e análises estatísticas. Isso demonstra o potencial da automação e da inteligência artificial (IA) ​​em desempregar trabalhadores de serviços contábeis, financeiros e jurídicos.

Os empregos que exigem habilidades cognitivas básicas, incluindo a digitação de dados e conhecimentos básicos de matemática, enfrentam o maior desafio, já que devem diminuir ainda mais rapidamente do que visto nos últimos 15 anos. O mesmo se aplica às habilidades físicas e manuais, como as habilidades motoras grosseiras.

A expectativa é que empresas, educadores, associações patronais e sindicatos de trabalhadores estejam cientes do grande desafio socioeconômico que representam a mudança de perfil dessas habilidades. Por exemplo, as habilidades sociais e emocionais são aprendidas, atualmente, em grande parte fora da escola, no entanto, como elas serão mais exigidas no futuro, os sistemas educacionais precisam encontrar maneiras de incorporá-las aos currículos regulares.

É preciso todos estarem cientes que centenas de milhões de trabalhadores, em todo o mundo, precisarão passarem por reciclagens profissionais ou iniciarem nova etapa em suas carreiras. Estima-se que 75 a 350 milhões de pessoas, ou de 3% a 14% da força de trabalho global, precisarão mudar de categoria ocupacional até 2030 ou, fatalmente, ficarão desempregadas.

 

Este artigo foi originalmente publicado no Project Syndicate em
https://www.project-syndicate.org/commentary/automation-ai-future-of-work-skills-by-susan-lund-and-eric-hazan-2018-07

 

Walter Alves

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
Walter Alves

Últimos posts por Walter Alves (exibir todos)