Os idosos são o próximo grande mercado para empresas de tecnologia chinesas

Os criadores de aplicativos estão tentando cativar a vovó

Logo após a hora do jantar, o Parque Xiangyang, no centro de Xangai, transforma-se num salão de festas. Pessoas idosas dançam sob os plátanos ao som de antigas canções pop que saem dos alto-falantes. Uma imagem de nostalgia geriátrica – até você encontrar a Sra. Shi e o Sr. Zhou, um casal na faixa dos 70 anos cujo entusiasmo pela valsa só não é maior do que pelos seus smartphones. Zhou lê romances online. Shi assisti seu grupo dançando nos parques, através do Huoshan, um aplicativo de vídeos curtos preferido dos adolescentes. Ambos adoram o WeChat, um aplicativo de mensagens. “Eu posso ficar sem comida, mas não fico sem meu smartphone”, confessa a Sra. Shi.

Ela e o marido ainda não são pessoas comuns quando o assunto é tecnologia. Menos de um em cada três chineses, com mais de 50 anos, tinham um smartphone em 2016, metade da participação dos EUA. Uma pesquisa da Academia Chinesa de Ciências Sociais e da Tencent, dona do WeChat, descobriu que apenas 17%, frequentemente, compravam pelos smartphones; perto da metade nunca havia feito isso.

As empresas de tecnologia querem atrair mais as senhoras Shis e os senhores Zhous para o online – e captar uma grande fatia do que os idosos chineses devem gastar em bens de consumo até 2020. Para empresas de tecnologia, a desconexão dos 250 milhões de chineses idosos, ou 18% da população, é uma oportunidade. Em 2017, a jd.com, uma grande empresa de comércio eletrônico, descobriu que os idosos gastavam 2,3 vezes mais do que o usuário médio.

Tangdou Guangchang Wu (Jelly Bean Square Dance), que começou a postar vídeos de dança (com filtros digitais para eliminação de rugas), aspira ser um balcão de anúncios único para os idosos. São mais de 200 milhões de downloads desde o seu lançamento em 2015.

Os chineses 60+ usam quatro quintos de sua franquia de internet no WeChat, contra 7% dos com idade entre 18 e 35 anos. Em 2017, a Tencent fez um vídeo com idosos batendo papo sobre sua confusão em relação à tecnologia para incentivar os jovens a ajudarem seus pais com o WeChat Helper, um assistente de aplicativos. Pessoas com mais de 55 anos são agora a faixa etária de crescimento mais rápido do WeChat.

No ano passado, o Taobao introduziu uma opção “pague por mim” para clientes idosos usarem com o login de membros da família. O site transmite diariamente mais de 1.000 programas de streaming ao vivo direcionados a eles. O Ele.me, um serviço de entrega de alimentos está testando entregas de refeições e remédios para idosos, e serviços com hora marcada para coisas como troca de lâmpadas por exemplo.

Os analistas consideram que as estratégias dos serviços acima estão corretas, pois até 2050 a parcela de pessoas acima de 60 anos será o dobro da de hoje e atingirá um terço da população total. Algo nunca visto em termos de capacidade de consumo.

 

O artigo foi originalmente publicado na The Economist em https://www.economist.com/business/2019/08/10/the-elderly-are-the-next-big-growth-market-for-chinese-tech-firms

 

Walter Alves

Palestrante e consultor social com experiência em gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento e inclusão no trabalho de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTI+ e pessoas acima de 50 anos.
Walter Alves